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Governo quer ver o FMI como um verdadeiro parceiro de desenvolvimento - Asset Display Page

Governo quer ver o FMI como um verdadeiro parceiro de desenvolvimento

Informações,Parceria Publicado em: 28-10-2026 17:27

O Governo de Cabo Verde quer ver o Fundo Monetário Internacional (FMI) como um verdadeiro parceiro de desenvolvimento, reconhecendo a relação histórica de 48 anos e o percurso extraordinário que o país tem vindo a construir com o FMI, afirmou hoje a Secretária de Estado das Finanças, Maria José Lopes.

A governante fez esta declaração ao presidir à abertura da missão do Fundo a Cabo Verde, defendendo que a cooperação deve contribuir para reforçar as capacidades institucionais, melhorar as políticas públicas e preparar o país para os desafios futuros.

Maria José Lopes considerou que o percurso de Cabo Verde demonstra que, mesmo perante limitações estruturais significativas, é possível alcançar progressos importantes quando existe uma visão de longo prazo, estabilidade institucional, compromisso com as reformas e uma parceria internacional assente na confiança e na responsabilidade mútua.

A responsável recordou que a parceria com o FMI contribuiu para reformas estruturantes na administração pública, na administração fiscal e aduaneira, no sistema financeiro e na gestão das finanças públicas. Entre os desafios que persistem, apontou a condição de pequeno Estado insular, a dimensão reduzida do mercado, a dependência das importações e a exposição a choques externos, bem como a situação económica e financeira de algumas empresas públicas.

Apesar destes desafios, Maria José Lopes apresentou indicadores que, segundo afirmou, refletem a evolução da economia e das contas públicas. “No segundo trimestre de 2026, a economia cabo-verdiana cresceu 7,6% em volume, enquanto a inflação se situou em cerca de 1,3% em agosto. Em setembro, o saldo global provisório correspondeu a um excedente de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB), e as receitas totais, incluindo a venda de ativos não financeiros, atingiram 63,7 mil milhões de escudos, mais 9,7% do que no período homólogo”, indicou.

Para 2027, o Governo prevê um crescimento real de 5,6%, uma inflação em torno de 2%, um défice público de 1% do PIB e a redução da dívida pública para cerca de 87,5% do PIB.

A Secretária de Estado reafirmou o compromisso com a gestão rigorosa dos recursos públicos e a continuidade das reformas, defendendo que o cumprimento das metas orçamentais deve ser acompanhado pelo investimento nas pessoas e na economia. “A estabilidade financeira é essencial, mas deve estar ao serviço do desenvolvimento e da dignidade da pessoa humana”, afirmou.

O chefe da missão do FMI, Martin Schindler, manifestou satisfação com o compromisso do Governo em manter o diálogo com os parceiros de desenvolvimento e afirmou que o Fundo se revê na visão de uma parceria orientada para o desenvolvimento.

“Cabo Verde, enquanto pequena economia insular aberta, está muito inserido no ambiente global, sendo bastante vulnerável aos desenvolvimentos globais e a choques externos, sejam eles climáticos ou económicos. Como economia insular, grande parte do que o país consome é importada, pelo que os preços das importações e dos combustíveis pesam muito sobre a economia”, considerou.

O turismo, uma das principais fontes de receitas externas do país, também depende da evolução internacional, apontou Martin Schindler, sublinhando que, neste contexto, é muito adequada a continuação do diálogo com Cabo Verde.

A missão do FMI, que decorre de 26 de outubro a 6 de novembro, abrange a oitava e a nona revisões do programa apoiado pela Linha de Crédito Alargada (ECF) e a quarta e a quinta revisões do Instrumento de Resiliência e Sustentabilidade (RSF).

“Tudo indica que estamos no bom caminho e estamos ansiosos por avaliar em conjunto os progressos alcançados e os planos políticos deste Governo”, afirmou Martin Schindler.

Por sua vez, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Comunidades e Defesa Nacional, Manuel Augusto da Rosa, considerou que a missão representa mais do que uma revisão técnica, constituindo uma oportunidade para aprofundar o diálogo estratégico entre Cabo Verde e uma das suas principais instituições parceiras.

O governante defendeu que o FMI deve ter em conta as especificidades dos pequenos Estados insulares, nomeadamente a exposição a choques externos, a escassez de recursos hídricos e a vulnerabilidade climática. Salientou também a importância de uma abordagem inclusiva nas iniciativas e nos debates das instituições financeiras internacionais, de modo a considerar as prioridades dos diferentes setores do Estado.

O ministro identificou a criação de emprego, sobretudo para os jovens, a conectividade entre as ilhas e a resiliência climática como três prioridades do Governo. Defendeu que ligações interilhas eficazes são essenciais para o desenvolvimento, a inclusão territorial e o acesso aos serviços básicos, enquanto a resposta às alterações climáticas exige investimentos em água, energias renováveis e proteção costeira.

Manuel Augusto da Rosa recordou ainda que Cabo Verde assumirá, a partir de 1 de janeiro de 2027, a presidência da Aliança dos Pequenos Estados Insulares (AOSIS) e manifestou a expectativa de continuar a contar com o apoio do FMI nesta nova responsabilidade internacional.

A missão do FMI inclui reuniões com o Ministério das Finanças, o Banco de Cabo Verde e outras instituições públicas e entidades nacionais. O programa ECF apoia as reformas económicas e o reforço das finanças públicas, enquanto o RSF apoia as reformas climáticas e procura mobilizar financiamento privado para responder aos desafios das alterações climáticas.